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A Dor de uma Saudade
Amigo do verso
do terço
que rezo
e me perco
Amigo querido
distante
não o bastante
para pulsar ainda
tua ausência finda
Amigo de copo
desgosto
afoito
de coito
Amigo terno
disperso
no vazio
que veio
e se foi
Amigo eterno
a quem não espero
mas lembro
choro e sinto
e minto
para não doer
esquecer
que foste
amigo.
Viviane Ramos
Consuma-me...
Olhe...
Sou buraco negro e quente.
Prove...
Do meu sabor ardente.
Que desliza no interior do teu corpo
Aquecendo a epiderme.
Sacia o desejo nada pouco,
Neste aroma que te embebe.
Não deves? Temes?
Dizem que não faz bem ao coração...
O teu já é tão acelerado, não é?
Desistes! Te rendes!
Enfim...
A mão,
A xícara,
O café!
Viviane Ramos
Meus Calos
Sem entusiasmo sigo meus dias
Sempre negros e silenciosos...
Só meus gritos quebram o vazio.
Não há alegrias
Nestes dias tortuosos
Onde o verso segue perdido.
Não mais lerão
E não saberão que eu o escrevo
Silenciaram o meu desejo...
De ser poesia, ver a magia
De quem se encontra em mim,
Lendo no verso a alegria
De não estar tão só assim.
Enfim...
Escrevo e calo
Calo e escrevo.
Quantos calos
nos meus dedos.
Viviane Ramos
Pobre Mulher
Tem que ser dama
Te parecer puritana
e ainda ser boa de cama.
Tem que andar bem vestida, perfumada
Ser digna e recatada
e a puta que te assanha.
Tola, falta mulher
Segues cabisbaixa, encolhida
Porque se ele quer,
não te atreves nem a ser bonita.
Mas a beleza é tua
Adulcorada e bendita
Confronte o espelho de alma nua
e toque na ferida
Há de doer arduamente
mas logo tu verás
Que anestesia é seguir em frente
e tentar uma vez mais.
Burra amedrontada
por que temes o por vir?
Se para ele não és nada,
por que prendes teu tudo aqui?
Subjugada e combalida
Ternamente espancanda
Com palavras agredida
Pela ausência esfaqueada.
Tantos sonhos acedidos
Pagam teu imenso nada.
Tantos fios já caídos
não te servem para a meada.
Vá mulher ainda menina
A poesia te faz flor
Tu és tão jovem ainda
Não desistas de "teu" amor.
Viviane Ramos
.
Expandidos Desejos
Expandidos desejos
Recriados do beijos
Que nunca te dei.
Concupiscente ensejo
Acarreta o corpo ao leito
Faz do prazer nova lei.
Doce labuta
Que pago em permuta
Valor maior que lhe paguei.
Adentra no que me resta de pura
E ao menos por conjetura
Tua... tua serei.
Viviane Ramos