Fome De Amor
Rolo na cama,
Não consigo dormir,
Meu corpo declama,
Poesias para ti.
Que falam da fome,
E da sede que causas em mim.
Ouço em sussurro meu nome,
E me encho de um desejo sem fim.
Reviro e me contorço,
Penso em meu amado sem rosto.
Vejo que já perdi a razão...
E a sanidade que me restava,
A que ainda me mantinha curada...
Desta doença... enfim, paixão.
Viviane Ramos
Todas as Noites
Existe algo em teu olhar,
Que não consigo entender...
Às vezes me assusta,
Às vezes me faz querer.
Transpõe os desejos,
Imersos em teus beijos...
Faz-me gemer...
De dor, ou prazer,
No fim tudo é amor...
Pois envolvida em teu calor
A dor se faz prazer.
No teu olhar eu descobri,
O que mais intenso pude sentir.
Toda a razão e o porquê...
De morrer todas as noites em teus braços...
Para de manhã... renascer.
Viviane Ramos
1998
Ânsia
Que sentimento é este,
que minha alma corroí.
Que a minha pouca;
réstia de sanidade destrói.
Então fico assim...
Sofregamente abalada,
E me perco dentro de mim,
Com a dor que mantenho calada.
Estou a enlouquecer,
Em devaneios que desconheço.
Em meio a esta ânsia de você,
Em loucura me perco.
Então me deixo estar louca,
Em busca do teu amor...
Ansiando encontrar tua boca,
Para que cesse toda esta dor.
Viviane Ramos
Sonho no Apogeu
Doce é a inspiração que me toma,
E enche minhas noites de luz.
Minha poesia transborda,
Em oração que seduz.
Não me sinto mais vazia,
Torno a florir...
Sinto latejar a vida,
Volto então a sorrir.
Meu sorriso agora é pleno,
Não disfarço seus defeitos.
Encontro neste amor ameno,
Preenchimento para o peito.
Posso amar-te nua,
Despida de palavras perfeitinhas.
Assim me basta ser tua,
Por entre estas linhas.
Que vão para onde o bem quiserem,
Tantas tolas convenções.
Se ainda hoje me quiseres,
Serei tua em todas as dimensões.
Tão tua... tão meu...
Sem escravizar... sem prender.
Só um sonho no apogeu,
Onde encontro você!
Viviane Ramos
Meu Retrato
Não sou só poesia,
Também sou um conto irreverente.
Quero ferver a vida,
E derramar meu leite quente.
Fervido no fogo à lenha,
Que desdenha...
Da tua modernidade.
E mesmo que não me convenha,
Não me detenha!
Dar-te-ei... minha verdade.
Viviane Ramos
Faz de Mim
Faz de mim...
Tua musa.
Tua poesia oculta,
Tua inspiração enfim.
Faz de mim...
Teu desejo.
A ansiar o beijo,
Da minha boca carmim.
Ah, faz de mim...
O que quiseres...
E o que fizeres,
Causar-me-á prazer sem fim.
Viviane Ramos
Feminilidades
Repousa o corpo cansado,
Sobre a cama fria.
Teu pensamento negro, encalacrado...
Vai-se com a luz do dia.
E te enches de desejo;
De amor pelo que não é teu.
Ansiando o beijo,
Da boca que ainda não conheceu.
A mão cadente...
Desliza toda a linha,
Do corpo envolvente,
De tuas curvas de menina.
Tão menina ainda em pudor,
Eminente em ternura,
Flamejante de amor.
Viviane Ramos
Sussurros ao Ouvido
Estou cansada...
Anseio meus olhos cerrar.
Há uma noite de sonhos...
A me esperar.
Então fecho os olhos,
Adormeço.
Por fim...
Meus pesares esqueço.
E tu vens...
Belo, tímido... perfeito!
O que tens?
O amor... do teu jeito!
Toca-me suavemente,
E beija minha boca.
Sinto-a ardente...
Decorrer-me como louca.
Então beijas...
Cada parte mínima e insinuante.
E saboreias...
O seio latejante.
Aperta-me contra corpo,
Segura minha mão.
Declara-me teu desejo louco.
Aos sussurros de uma canção.
Deita-me na relva...
De nossas poesias.
E toda uma vida de espera,
Cessa no momento deste dia.
E em meu sonho sou livre,
E flutuo a te encontrar...
Neste instante nada existe,
Só a certeza de te amar.
Viviane Ramos
Perfumes e Aromas
Tens o perfume do mar,
Mesclado a jasmim...
Já sentiu um aroma assim?
Tens tristeza no olhar,
Mas algo se alegra em mim...
Quando te vejo rolar...
Em meio a tua cama de capim.
Deita-te na relva sem pudor...
Rola, brinca... me beija...
Dá-me todo teu ardor.
Em meio ao cheiro do mato,
Com o teu misturado...
Fazemos amor.
Viviane Ramos

Aberta, Linda e Mimosa Rosa
Hoje minha alma está completa,
Minha poesia ficou mais prosa.
A canção é mais desperta...
Ao conhecer-te... Rosa.
Dentre todas a mais bela,
Onde a poesia é composta.
Sempre meiga e singela,
Mesmo em meio à densa trova.
És a rosa mais aberta,
Que eu pude contemplar...
A beleza mais completa,
Que eu pude admirar.
Declaro-te com ardor,
O que não posso mais calar...
Tenho sim por ti amor...
Como só “amigos” o sabem amar.
Tê-la amiga enaltece o coração.
Então agradeço-te com singela prosa.
Lacrimeja minha emoção...
De ver-te aberta, linda e mimosa rosa.
Viviane Ramos
Pecado Carmim
Tenho tentado desprender-me das orações,
Das rezas... dos ritos...
Das denominações.
Tento encontrar-me,
Em mim mesma.
Sem querer ser perfeita,
Apenas mulher.
Explorar-me... tocar-me...
Sem achar-me em pecado.
Descobrir no prazer de estar só,
Um desejo sagrado.
Então busco por minhas curvas,
Que antes sinuosas...
Agora... turvas.
Mas ainda me encontro por elas;
E elas se encontrar em mim.
Percorro-as até as canelas...
Que se abrem ao pecado carmim.
A mão bate a porta...
Do céu ou do inferno.
Não estou morta...
Desejo.
Questiono... receio.
Persisto... me beijo.
Deslizo o dedo...
Que busca... anseio...
Então me encontro... e me perco,
Por um instante em mim.
Atendo ao apelo...
Do meu pecado carmim.
Viviane Ramos
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