domingo, 26 de julho de 2009





Dolorido Sabor

Era a vida tão linda
Quando ainda pequenina
Não sentia ardor.

Tinha nos braços a amiga
A boneca desenxabida
A quem ofertava calor.

Nos braços do pai, bem-vinda
Com ternura aquecida
Nisto não cabia pudor.

Outro chegou a sua vida
Cadente emoção sentida
Desbravando novo sabor.

Sabor da boca melada
Da palavra cantada
Na nudez do seu favor.

Lacrimeja a vagina
Da inocente menina
Que conheceu o amor.

Desvirginou-se na matina
Adentrou na rotina
De gargalhar de dor.

Viviane Ramos

terça-feira, 21 de julho de 2009



Doce Opúsculo

Dou-te...
Abre meu doce opúsculo.
Vou-me...
Antes do ensejo deste crepúsculo.

Prova dos meus ardentes verbos
Ateados pela tensa imissão.
Mergulha nos desejos submersos,
Em teus dedos recolha minha oblação.

Travesso menino já de idade
Abcindi o amor do prazer.
Ensina-me o caminho da felicidade
Mesmo que por instantes a anseio ter.

Viviane Ramos

quarta-feira, 15 de julho de 2009




Rosa Ardida

Vês que moça recatada,
Que seduz até calada.
Despudoradamente encantadora,
Bela menina arrebatadora.

Santa pecadora,
Que está sempre a rezar
A poesia promissora,
A qual há de te libertar.

És tantas em uma
E traçando um caminho juntas
Em busca de coisa alguma...
Revelando em uma só face, muitas.

Mulher menina...
Ardente pequenina.
A espera de quem te versará.

Doce felina...
Rosa ardida...
Virgem ainda no seu amar.

Viviane Ramos



quinta-feira, 9 de julho de 2009




Hoje Te Amei e Amanhã?

Fecho os olhos... os sonhos vão...
Quebro os ferrolhos da minha imaginação
E me vou... voando de avião.

Chegando lá, você a esperar...
Olhos, mãos... anseio...
O silêncio revela o desejo
Da boca querendo beijar.

Vamos...
Ao destino certo
Para o desejo desperto
Por fim saciar.

Chegamos...
A porta nos deixa entrar
A cama feita
Anseia-se desarrumar.

Falamos...
O que só as linhas puderam ouvir
As palavras tomam voz
E se fazem sentir.

E sentimos...
Na pele o desejo de antes
Que somente escritos
Já não é o bastante.

E tocamos...
A boca o beijo
O corpo o desejo.

E entregamos...
Todos os versos contidos
Os desejos dispersos,
Agora unidos.


Divago nesta doce loucura
Que me levará ao divã
Nos teus braços nua
Questiono: hoje te amei e amanhã?

Responde o beijo
Eu me calo
Outra vez me perco
E em desejo desabo

E amamos...

Viviane Ramos




Devassa Fantasia

Sou vazio e silêncio
Inerte em meio ao tempo...
Rosa a sucumbir.

Ando sozinha e cansada,
Psicologicamente abalada
Sem motivos para sorrir.

De repente...
Teu vento soprou em mim,
Poesia ardente
Escrita na cor carmim.

E tudo está móvel e intenso,
Suplicante... pecaminoso...
Hum... desejo imenso
De provar teu gosto.

Há de ser bom sentir teu sabor,
Tocar tua emoção
Amar-te com fervor.

Folhas ao ar...
Vendaval de poesias...
Em silêncio saciar
Nossa devassa fantasia.

Viviane Ramos

.

terça-feira, 30 de junho de 2009




Apesar de Você

E daí se já não sou mais perfeita?
Se as curvas não são mais sinuosas,
Se perderam a forma
E já não fazem tua cabeça?

E daí? Se você se esqueceu...
Mesmo assim esta ainda sou eu.
Mesmo que as vezes eu não reconheça meu reflexo,
Não farei disto um complexo.

Ainda posso ser linda de tantas formas...
E assim eu me contento.
E se tu não gostas...
Eu só lamento!

Viviane Ramos

segunda-feira, 29 de junho de 2009



Estulto Desejo

Estulto desejo que me assombra
Ao buscar o beijo que a boca não encontra.
Estúrdio ensejo que desanda
Antes mesmo de alcançar a cama.

Estridente sonho que me bestializa
E que expõe a fúria contida.
Estringe o corpo, desmaterializa...
Semelhante ao louco e sua mais sensata mentira.

Estrilo, mas calo... não anseio dizer,
Em segredo guardo o que só a poesia há de saber.
Estro apenas para meu ledo viver
E nada, além disto, o pode ser.

Viviane Ramos











sábado, 13 de junho de 2009




Libertinagem

Hoje acordei,
Com tanta vontade...
Logo pensei,
Vou fazer traquinagem.

Soltei meus cabelos,
Vesti pouca roupagem.
Acalentei os desejos,
De minha libertinagem.

Ah, eu questionei:
_ Por que não?
Não sou a “Santa da Imagem”.
Então me libertei,
E toquei o mais íntimo da minha paisagem.

Viviane Ramos



Teu Colo

Ah... tenho tanta vontade de te ver,
De estar com você...
De sentar em teu colo.

Sentir o desejo nos aquecer,
A volúpia a nos envolver...
Saltando a teu tenso falo.

Sublime prazer,
Libertino querer...
Que adentra os poros.

Há de ser!
Há de ser...
Um dia vou estar com você!

Vais me amar sem por que,
Te entregares ao prazer,
E tomar-me em teu colo.

Viviane Ramos

segunda-feira, 8 de junho de 2009





Fome De Amor

Rolo na cama,
Não consigo dormir,
Meu corpo declama,
Poesias para ti.

Que falam da fome,
E da sede que causas em mim.
Ouço em sussurro meu nome,
E me encho de um desejo sem fim.

Reviro e me contorço,
Penso em meu amado sem rosto.
Vejo que já perdi a razão...
E a sanidade que me restava,
A que ainda me mantinha curada...
Desta doença... enfim, paixão.


Viviane Ramos

segunda-feira, 1 de junho de 2009




Todas as Noites

Existe algo em teu olhar,
Que não consigo entender...
Às vezes me assusta,
Às vezes me faz querer.

Transpõe os desejos,
Imersos em teus beijos...
Faz-me gemer...
De dor, ou prazer,
No fim tudo é amor...
Pois envolvida em teu calor
A dor se faz prazer.

No teu olhar eu descobri,
O que mais intenso pude sentir.
Toda a razão e o porquê...
De morrer todas as noites em teus braços...
Para de manhã... renascer.

Viviane Ramos
1998

sexta-feira, 29 de maio de 2009




Ânsia

Que sentimento é este,
que minha alma corroí.
Que a minha pouca;
réstia de sanidade destrói.

Então fico assim...
Sofregamente abalada,
E me perco dentro de mim,
Com a dor que mantenho calada.

Estou a enlouquecer,
Em devaneios que desconheço.
Em meio a esta ânsia de você,
Em loucura me perco.

Então me deixo estar louca,
Em busca do teu amor...
Ansiando encontrar tua boca,
Para que cesse toda esta dor.

Viviane Ramos




Sonho no Apogeu

Doce é a inspiração que me toma,
E enche minhas noites de luz.
Minha poesia transborda,
Em oração que seduz.

Não me sinto mais vazia,
Torno a florir...
Sinto latejar a vida,
Volto então a sorrir.

Meu sorriso agora é pleno,
Não disfarço seus defeitos.
Encontro neste amor ameno,
Preenchimento para o peito.

Posso amar-te nua,
Despida de palavras perfeitinhas.
Assim me basta ser tua,
Por entre estas linhas.

Que vão para onde o bem quiserem,
Tantas tolas convenções.
Se ainda hoje me quiseres,
Serei tua em todas as dimensões.

Tão tua... tão meu...
Sem escravizar... sem prender.
Só um sonho no apogeu,
Onde encontro você!

Viviane Ramos

domingo, 24 de maio de 2009






Meu Retrato

Não sou só poesia,
Também sou um conto irreverente.
Quero ferver a vida,
E derramar meu leite quente.

Fervido no fogo à lenha,
Que desdenha...
Da tua modernidade.

E mesmo que não me convenha,
Não me detenha!
Dar-te-ei... minha verdade.

Viviane Ramos


Faz de Mim

Faz de mim...
Tua musa.
Tua poesia oculta,
Tua inspiração enfim.

Faz de mim...
Teu desejo.
A ansiar o beijo,
Da minha boca carmim.

Ah, faz de mim...
O que quiseres...
E o que fizeres,
Causar-me-á prazer sem fim.

Viviane Ramos

segunda-feira, 11 de maio de 2009




Feminilidades

Repousa o corpo cansado,
Sobre a cama fria.
Teu pensamento negro, encalacrado...
Vai-se com a luz do dia.

E te enches de desejo;
De amor pelo que não é teu.
Ansiando o beijo,
Da boca que ainda não conheceu.

A mão cadente...
Desliza toda a linha,
Do corpo envolvente,
De tuas curvas de menina.

Tão menina ainda em pudor,
Eminente em ternura,
Flamejante de amor.

Viviane Ramos


sexta-feira, 1 de maio de 2009







Sussurros ao Ouvido

Estou cansada...
Anseio meus olhos cerrar.
Há uma noite de sonhos...
A me esperar.

Então fecho os olhos,
Adormeço.
Por fim...
Meus pesares esqueço.

E tu vens...
Belo, tímido... perfeito!
O que tens?
O amor... do teu jeito!

Toca-me suavemente,
E beija minha boca.
Sinto-a ardente...
Decorrer-me como louca.

Então beijas...
Cada parte mínima e insinuante.
E saboreias...
O seio latejante.

Aperta-me contra corpo,
Segura minha mão.
Declara-me teu desejo louco.
Aos sussurros de uma canção.

Deita-me na relva...
De nossas poesias.
E toda uma vida de espera,
Cessa no momento deste dia.

E em meu sonho sou livre,
E flutuo a te encontrar...
Neste instante nada existe,
Só a certeza de te amar.

Viviane Ramos




Perfumes e Aromas

Tens o perfume do mar,
Mesclado a jasmim...
Já sentiu um aroma assim?

Tens tristeza no olhar,
Mas algo se alegra em mim...
Quando te vejo rolar...
Em meio a tua cama de capim.

Deita-te na relva sem pudor...
Rola, brinca... me beija...
Dá-me todo teu ardor.

Em meio ao cheiro do mato,
Com o teu misturado...
Fazemos amor.

Viviane Ramos






Aberta, Linda e Mimosa Rosa

Hoje minha alma está completa,
Minha poesia ficou mais prosa.
A canção é mais desperta...
Ao conhecer-te... Rosa.

Dentre todas a mais bela,
Onde a poesia é composta.
Sempre meiga e singela,
Mesmo em meio à densa trova.

És a rosa mais aberta,
Que eu pude contemplar...
A beleza mais completa,
Que eu pude admirar.

Declaro-te com ardor,
O que não posso mais calar...
Tenho sim por ti amor...
Como só “amigos” o sabem amar.

Tê-la amiga enaltece o coração.
Então agradeço-te com singela prosa.
Lacrimeja minha emoção...
De ver-te aberta, linda e mimosa rosa.

Viviane Ramos

quinta-feira, 30 de abril de 2009





Pecado Carmim

Tenho tentado desprender-me das orações,
Das rezas... dos ritos...
Das denominações.
Tento encontrar-me,
Em mim mesma.
Sem querer ser perfeita,
Apenas mulher.
Explorar-me... tocar-me...
Sem achar-me em pecado.
Descobrir no prazer de estar só,
Um desejo sagrado.
Então busco por minhas curvas,
Que antes sinuosas...
Agora... turvas.
Mas ainda me encontro por elas;
E elas se encontrar em mim.
Percorro-as até as canelas...
Que se abrem ao pecado carmim.
A mão bate a porta...
Do céu ou do inferno.
Não estou morta...
Desejo.
Questiono... receio.
Persisto... me beijo.
Deslizo o dedo...
Que busca... anseio...
Então me encontro... e me perco,
Por um instante em mim.
Atendo ao apelo...
Do meu pecado carmim.

Viviane Ramos